Fluminense 0 x 0 Vasco da Gama

Empate com rival coroou título brasileiro do aguerrido Fluminense de 1984

Quando foi iniciado o Campeonato Brasileiro de 1984, o grande favorito não era o Fluminense, mas sim o Flamengo, que era o atual bicampeão e tinha ganho 3 dos últimos quatro nacionais (1981, 1982 e 1983). O próprio Vasco da Gama, com Roberto Dinamite, era mais cotado, por muitos, do que o Tricolor das Laranjeiras. Mas Carlos Alberto Parreira, com a dupla conhecida como Casal 20, Washington e Assis, e o paraguaio Romerito, transformou essa realidade a cada partida. Aguerrido, o Flu surpreendeu a todos e levantou a taça.

Na primeira fase, o Flu ficou no Grupo C, com Santos, ABC, Ferroviário e Confiança. Venceu cinco jogos, empatou dois e perdeu só um. Na segunda, pegou Goiás, São Paulo e Bahia, com três vitórias, dois empates e uma derrota. Resultados bem positivos e que garantiram o time na fase-final, o popular mata-mata. Nas quartas, após um tropeço em 2 a 2 com o Coritiba, aplicou 5 a 0 no jogo de volta. Nas semis, fez 2 a 0 no Corinthians e jogou pelo 0 a 0 na segunda partida.

Então, chegou a grande decisão. Uma partida de parar o Rio de Janeiro. Ou melhor, duas. Era o Fluminense, do Casal 20 e Romerito, contra o Vasco de Dinamite. Em dois confrontos separados por apenas três dias: 24 e 27 de maio de 1984. O clima na cidade era de expectativa em torno da final. O Tricolor buscava seu primeiro título do Campeonato Brasileiro desde que ele foi criado, em 1971 (venceu a Taça de Prata em 1970), e o Vasco, campeão em 1974, tentava o bi.

No primeiro jogo, deu Flu. Com mais de 63 mil torcedores pagantes no Maracanã, a equipe das Laranjeiras derrotou o Vasco por 1 a 0, com gol de Romerito. Por isso, os tricolores levaram a vantagem do empate para a partida de volta. A confiança, claro, era grande. E o público foi mais do que o dobro do primeiro confronto. No dia 27 de maio, havia mais de 128 mil pagantes no estádio. Jogando com o regulamento debaixo do braço, Parreira armou um esquema tático para anular a criação do Vasco e sair no contra-ataque.

Precisando do resultado, o Cruzmaltino foi para cima, comandado por Roberto Dinamite. Só que sempre batia de frente com um parredão intransponível formado pela defesa tricolor e seu goleiro, Paulo Victor. Foi uma defesa dele, já no fim do segundo tempo, que fez com que a torcida do Flu, enfim, soltasse o grito de campeão. Arturzinho recebeu belo passe, invadiu a área e finalizou, mas o arqueiro tricolor salvou de forma espetacular, com os pés. Antes do apito final, Washington e Assis ainda tiveram boas chances, mas não marcaram.

Nem precisava. O 0 a 0 foi o bastante. Flu, campeão brasileiro de futebol de 1984.

FLUMINENSE 0 X 0 VASCO

Local: Estádio do Maracanã (Rio de Janeiro)
Data: 27/05/1984
Árbitro: Romualdo Arpi Filho (SP).
Renda: Cr$ 638.160.000,00.
Público: 128.781 pagantes.

Cartões amarelos: Roberto Dinamite, Romerito, Daniel González, Aldo, Mário e Jandir.

FFC: Paulo Victor; Aldo, Duílio, Ricardo e Branco; Jandir, Delei e Assis; Romerito, Washington e Tato. Técnico: Carlos Alberto Parreira.

CRVG: Roberto Costa; Edvaldo, Ivan, Daniel González e Aírton; Pires, Arturzinho e Mário; Mauricinho, Roberto Dinamite e Marquinho. Técnico: Edu Coimbra.

Observação: Escolher jogos inesquecíveis de clubes no Maracanã é uma tarefa árdua. Por isso, escolhemos um de cada equipe grande do Rio de Janeiro para representar as suas gigantescas histórias no estádio.