Botafogo 2 (3) x 2 (1) Peñarol

Glorioso venceu título internacional no Maraca em 1993

O ano de 1993 não parecia ser dos melhores para o Botafogo. Após perder a final do Campeonato Brasileiro de 1992 para o grande rival, Flamengo, o Alvinegro ainda viu alguns de seus grandes talentos deixarem o clube entre as temporadas. No Brasileirão, a equipe venceu só dois jogos dos 14 disputados e só não foi rebaixada por conta da proteção dada aos clubes dos grupos A e B pelo regulamento. Mas, em um universo paralelo, estava a Copa Conmebol, importante torneio da América do Sul, semelhante ao que hoje é a Copa Sul-Americana.

E neste realidade alternativa, o Botafogo alimentava esperanças de dar uma guinada no seu ano. Tudo começou de forma despretensiosa. Nem mesmo a torcida parecia se importar muito com o campeonato no começo dele. O primeiro desafio do Glorioso na competição, contra o Bragantino, foi disputado em Caio Martins diante de apenas 109 pagantes. Algo que é quase inimaginável. Mas o Fogão venceu por 3 a 1, e fora de casa fez 3 a 2 para sacramentar a classificação.

Na fase seguinte, a presença da galera já aumentou bastante. Foram mais de 4 mil pessoas no segundo jogo contra os venezuelanos do Caracas. Novamente, foram duas vitórias do Fogo: 1 a 0 fora e 3 a 0 em casa. Aí chegou a semifinal contra o Galo, e os mineiros fizeram 3 a 1 com tranquilidade em Belo Horizonte. Só que o time carioca não desistiu, lutou bravamente e ganhou o jogo de volta, no Caio Martins, por 3 a 0.

O surpreendente Botafogo, então, estava na final da Copa Conmebol contra um dos maiores tradicionais da América do Sul, o Peñarol, cinco vezes campeão da Libertadores da América. E mesmo jogando no Estádio Centenário, no Uruguai, nada de inferioridade. O Alvinegro saiu de lá com um empate, em 1 a 1, e voltou para o Rio de Janeiro necessitando apenas de uma vitória simples para garantir a taça.

Mas "tem coisas que só acontecem no Botafogo", não é mesmo? O Peñarol chegou aqui e abriu o placar ainda aos 35 do primeiro tempo. As quase 45 mil pessoas presentes (que diferença para os 109 do primeiro jogo) pareciam não querer acreditar no que estava acontecendo. Especialmente quando o primeiro tempo acabou com o placar ainda 1 a 0 para os uruguaios. Um misto de decepção e tensão estava no ar.

Mas "tem coisas que só acontecem no Botafogo", não é mesmo? Logo no começo do segundo tempo, Eliel empatou o jogo. Aos 22 minutos, Sinval, artilheiro isolado da competição, marcou seu oitavo gol no torneio e segundo do Bota nessa final. Uma virada de jogo espetacular. Com todo o jeito de que o título estava garantido. A torcida alvinegra fazia grande festa nas arquibancadas.

Mas "tem coisas que só acontecem no Botafogo", não é mesmo? No último minuto, Otero empatou para o Peñarol. Foi um duro golpe nos Alvinegros. Em campo e na torcida. O título, que estava garantido, agora ficava em dúvida. Iríamos, portanto, para o que os torcedores mais temem em um jogo decisivo de futebol: a disputa de pênaltis. E, claro, com vantagem psicológica para os uruguaios. Especialmente porque Sinval perdeu o primeiro pênalti do time carioca.

Mas "tem coisas que só acontecem no Botafogo", não é mesmo? Logo em seguida, Ferreyra também perdeu para o Peñarol. Então, tudo mudou. Suélio, Perivaldo e André Santos converteram todas as cobranças do Alvinegro, enquanto o time do Uruguai só marcou com Da Silva. Gutiérrez e De los Santos desperdiçaram suas penalidades e, enfim, os botafoguenses puderam comemorar o primeiro e único título internacional oficial do clube.

BOTAFOGO 2 X 2 PEÑAROL

Local: Estádio Jornalista Mário Filho (Maracanã)
Data: 30 de setembro de 1993
Competição: Copa Conmebol Sul-Americana – 2º jogo da Final
Renda: Cr$ 8.585.800,00 / Público: 45.000 (26.276 pagantes)

Árbitro: Francisco Lamolina (ARG).
Gols: Bengoechea aos 35/1ºT; Eliel aos 7/2oT, Sinval aos 22/2ºT e Otero aos 46/2ºT
Pênaltis: Botafogo 3-1 Peñarol (Suélio, Perivaldo e André Santos para o Botafogo; Da Silva para o Peñarol)

Botafogo: William Bacana, Perivaldo, André Santos, Cláudio Henrique e Clei (Eliomar); Nélson, Suélio, Marcelo Costa e Aléssio (Marcos Paulo), Sinval e Eliel. Técnico: Carlos Alberto Torres.

Peñarol: Rabajda, Tais, Gutiérrez, De Los Santos e Da Silva; Baltierra, Perdomo (Ferreyra), Bengoechea (Rehermann) e Dorta; Otero e Rodríguez. Técnico: Gregorio Pérez.