Brasil 1 (5) x (4) 1 Alemanha

Brasil ganhou o Ouro inédito na final dos Jogos Olímpicos Rio 2016

A peça que faltava no quebra-cabeça não falta mais. A medalha cujo espaço estava guardado há tanto tempo, enfim, está lá. A seleção de futebol mais vitoriosa do mundo, após muitos anos, conquistou o único título que ainda não tinha. Na noite de 20 de agosto de 2016, o Brasil ganhou a medalha olímpica de ouro no futebol. E não havia lugar mais perfeito para esse feito do que o Maracanã. Com mais de 63 mil pessoas. Vestido de verde e amarelo. Explodindo quando a bola tocou a rede na cobrança de pênalti de Neymar que decidiu o jogo.

Sim, precisou ir até a disputa de penalidades máximas. Não poderia ser fácil, né? Especialmente para um grupo que foi bastante questionado no início da campanha. Afinal, foram dois empates contra equipes de pouca tradição no esporte, a África do Sul e o Iraque. Depois, veio um 4 a 0 sobre a Dinamarca, para lavar a alma e embalar a Seleção para a fase final do torneio. Primeiro, 2 a 0 na Colômbia, em São Paulo, nas quartas. Aí foi a vez de vir para o Rio. Um sacode sobre Honduras, 6 a 0, na semifinal, e a final contra a Alemanha.

A mesma Alemanha, que fez aquele 7 a 1 sobre a gente na semifinal da Copa de 2014, em pleno Mineirão. Obviamente, não era literalmente o mesmo time, porque tratava-se de uma final olímpica, com seleções sub-23, mas é claro que criou-se um sentimento de revanche. E quando eles começaram o jogo metendo três bolas na trave, bateu em todos os brasileiros, no Maracanã ou pela TV, a preocupação. Será que perderíamos outra decisão no Maracanã? Será que a Alemanha seria nossa carrasca como na Copa? Será?

"Eu tô aqui!"

Não! Hoje não, hoje não, hoje não mesmo! O "menino Neymar" não iria deixar. Passado o susto inicial, o Brasil começou a jogar como Brasil. Tocando a bola, dominando as ações ofensivas e impondo seu estilo de jogo. Até abrir o placar. E de bola parada, curiosamente. Movimentando-se o tempo todo, o camisa 10 da Seleção foi caçado em campo. E, em uma das muitas faltas que sofreu, aos 26 minutos, chamou a responsabilidade, pegou a bola e...

Gol do Brasil! Em cobrança magistral, tirou qualquer chance de defesa de Horn e ainda viu a pelota tocar de leve no travessão antes de quicar no chão e morrer no fundo da rede. Na comemoração, ainda lembrou dois outros ícones dessa geração do esporte: mandou a tradicional frase de Cristiano Ronaldo ("Eu tô aqui") e a pose de "Raio" de Usain Bolt. Que explosão de felicidade no Maraca! Brasil 1 a 0, fim do primeiro tempo e a nossa tradicional confiança de volta.

Só que veio o segundo tempo. A Alemanha voltou melhor e Meyer, num chute rasteiro, empatou aos 14 minutos. A Seleção retomou o controle do jogo, criou mais, porém perdeu muitas oportunidades. Ao fim do tempo normal, 1 a 1. Placar que se arrastou pela prorrogação. Cansaço. Exaustão. No campo e na arquibancada. A tensão tomava conta a cada minuto que passava, pois aumentava a certeza de que viria a temida disputa de pênaltis.

Na primeira cobrança, gol da Alemanha: Ginter.
Renato Augusto empatou logo em seguida.
Weverton quase pegou, mas Gnabry bateu bem e fez 2 a 1.
Marquinhos, perfeito, empatou.
Brandt, com categoria, recolocou os alemães na frente.
Rafinha voltou a empatar: 3 a 3.
Weverton acertou o canto, mas Süler balançou a rede: 4 a 3.
Só que o brasileiro não desiste nunca, né? Luan deixou tudo igual.
Aí veio Petersen. Só que dessa vez não foi quase. Weverton acertou o lado e defendeu.
Cabia a Neymar a responsabilidade do último pênalti. "Só" fazer e garantir o ouro.
E fez.

Ele tava aqui. O Rio de Janeiro tava aqui. O Brasil inteiro tava aqui. E todos saíram ainda mais felizes do que entraram. Todos saíram, enfim, pela primeira vez na história, campeões olímpicos do futebol masculino.

FICHA TÉCNICA
BRASIL 1 (5) X (4) 1 ALEMANHA

LOCAL - Maracanã, no Rio.
PÚBLICO - 63.707 espectadores.
ÁRBITRO - Alireza Faghani (IRÃ).

CARTÕES AMARELOS - Zeca, Gabriel Barbosa, Selke, Sven Bender, Suele, Proemel.

GOLS - Neymar, aos 26 minutos do primeiro tempo; Meyer, aos 13 do segundo. Pênaltis: Renato Augusto, Marquinhos, Rafinha, Luan e Neymar marcaram para o Brasil; Ginter, Gnabry, Brandt, Suele para a Alemanha. Petersen perdeu.

BRASIL - Weverton; Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio e Douglas Santos; Walace, Renato Augusto e Luan. Gabriel Barbosa (Felipe Anderson), Neymar e Gabriel Jesus (Rafinha). Técnico: Rogério Micale.

ALEMANHA - Horn; Klostermann, Suele, Ginter e Toljan; Sven Bender, Lars Bender (Proemel) e Meyer; Brandt, Selke (Petersen) e Gnabry. Técnico: Horst Hrubesch.